segunda-feira, 15 de maio de 2017

Covilhã - Os Tombos XVI

    
    Retomamos hoje a apresentação de Os Tombos com o da Comenda de Malta referenciado por Luiz Fernando Carvalho Dias (1) e existente no Cartório de Leça do Balio.
O Mosteiro de Leça do Balio já existia no século X, mas só mais tarde evoluirá para uma arquitecturromânica e gótica. "Igreja hospitalária fortificada, de planta longitudinal de três naves de quatro tramos, com transepto inscrito, cabeceira tripartida, escalonada, e torre sineira quadrangular adossada lateralmente à fachada principal".
Os Hospitalários, denominados “Ordem Soberana e militar Hospitalária de São João de Jerusalém, de Rodes e de Malta” a partir de 1530, foram fundados num contexto de Cruzada e de Guerra Santa e por isso  Ordem do Hospital era uma organização internacional dependente directamente do Papa e cuja principal missão era proteger e prestar assistência aos peregrinos assim como participar nas incursões militares contra os muçulmanos.


Rodes - Rua dos Cavaleiros
Fotografia de Miguel Nuno Peixoto de Carvalho Dias

Rodes - Rua dos Cavaleiros,
 com os albergues das "Nações"
Fotografia de Miguel Nuno Peixoto de Carvalho Dias

Rodes - O Hospital, hoje Museu Arqueológico
Fotografia de Miguel Nuno Peixoto de Carvalho Dias

A entrada dos Hospitalários em Portugal foi no séc. XII, tendo D. Teresa feito doação do Mosteiro de Leça do Balio à ordem militar-religiosa dos Cavaleiros Hospitalários, que aqui vão fazer a sua primeira casa-mãe portuguesa. Não se conhece o documento de doação, mas a importância da Ordem é confirmada pela carta de couto outorgada em 1140 por D. Afonso Henriques.
O Mosteiro de Leça faz parte da História de Portugal, pois nele se hospedaram vários reis, tendo mesmo casado na sua Igreja o rei D. Fernando com D. Leonor de Teles. Devido à sua localização muitos peregrinos paravam em Leça, a caminho de Santiago de Compostela.
Conhece-se poucos escritos sobre o papel militar dos freires do Hospital, posteriormente sediados no Crato, onde o pai de D. Nuno Álvares Pereira (D. Álvaro Gonçalves Pereira) mandou construir Flor da Rosa.
Também podemos dizer que houve elementos femininos nos Hospitalários. Em Évora fixou-se o primeiro convento feminino. Na Covilhã também os houve: "Carta em como Maria gonçaluez se fez confreyra do spital e leixou lhj a terça parte de quanto auia en couilhaã". (2)
A Ordem nunca passou à Coroa (não foi ”nacionalizada”), embora tivesse tido priores-mor, muito próximos do Rei, como o Infante D. Luís, filho de D. Manuel e senhor da Covilhã ou o filho deste, D. António.
Não é possível estabelecer o número de comendas da Ordem ao longo dos tempos, porque houve muitas doações, escambos, compras e vendas. Enquanto o “Livro dos herdamentos e doações deste Mosteiro de Leça e de outras comendas e das liberdades dos reis de Portugal e de Espanha concedidos à ordem de São João Baptista do Hospital de Jerusalém”, organizado no século XVI, apresenta 31 comendas, entre elas a COVILHÃ, a especialista Paula Pinto Costa indica 54, provavelmente não existindo todas ao mesmo tempo e tendo áreas muito díspares.


Folha de Livro dos Herdamentos

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Algumas referências à Ordem do Hospital na Covilhã e no nosso blogue

Na Inquirição de D. João I elaborada em virtude de uma provisão régia de 1395, pode-se ler "- hua meia casa na freguesia de Sam Joham do esprital que parte com Rua do concelho e parte com casa de lourençe anes e com eixido de Joham Afonso e com casa dafonse annes clerigo E tragea este afonse annes clerigo emprazada por …. Na freguisia de sam Joham do esprital huu paradeiro que foy casa o qual parte com casa de vaasco fernandez e da outra parte com o dicto Vasco fernandez e com Rua do concelhõ." (3)

No "Rol do Bispado da Guarda", manuscrito em letra do século XVI e cuja cópia encontrámos no espólio do Investigador, aparece-nos na “Terra do Aciprestado de couilhãa”, a seguinte referência: "S. Joham Da Dita uilla hé Comenda de Rodes". (4)
  
Covilhã: Igreja de S. João de Malta
Fotografia de Miguel Nuno Peixoto de Carvalho Dias

A comenda da Covilhã, espécie de Convento antigo com sua quinta, localizava-se por trás da Igreja de S. João de Malta. Vejamos o que nos diz em 1734 o Padre Manuel Cabral de Pina na sua Monografia(5):

 “… S. JOÃO DE MALTA. A paroquia de S. João de Malta está no fundo da vila para a parte quasi do Norte, mas junto das casas dela. O seu orago é o glorioso S. João Baptista. Tem um só altar em que está a imagem do orago, em vu1to, e outras mais pintadas, uma de S. Sebastião e outra de Santo Amaro e no cimo as do Minino Deus, da Senhora e de S. José. Foi reformada a capela mór e se tiraram do altar as imagens pintadas e se pôs de novo a imagem pintada do orago e tambem se conserva a imagem dele, em vulto. Não tem naves nem irmandades.
O pároco se chama cura e é apresentado pelo comendador de Malta a cuja comenda pertence esta igreja. Tem de renda dez mil reis em dinheiro, dez arráteis de cera, para as missas, dois almudes de vinho, dois alqueires de trigo, um arrátel de incenso, tudo pago pela dita comenda. Não tem beneficiados. É cabeça da Comenda de S. João do Hospital. É matriz de uma filial que tem no lugar de Escarigo, deste termo, (hoje do Fundão), e de outra que tem no lugar de Sameiro, fora dele, nas quais o comendador apresenta curas. Entrando a procissão da ladaínha terceira de Maio em três igrejas esta é a primeira onde entra….”

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Ao lermos o documento abaixo é obrigatório lembrar o tema Onomástica, na sua vertente toponímia que estuda os nomes de lugares, a sua origem, o seu significado e evolução. Está ligada à linguística, à História, à Geografia e, claro, à Antroponímia. Estes nomes podem recordar personalidades, factos, acontecimentos populares e tradições, sendo muitos os lugares que aqui nos aparecem e que ainda hoje conseguimos identificar. (6)


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Livro de Herdamentos: Covilhã

"Couilhaa

Doaçom que fez Ermigo perez ao spital dhũa casa con meya da quintaã aqual he no Cjmiterio de Sam hoane
Escambho que fez o spital com Ermigo e ficou ao spital hũa casa e meya da quintaã que he no Cimiteryo de Sam joham.
Escambo que fez o spital com Domingos perez e com joham domjngoz do qual ficou ao spital herdade que e em meo no termho da couilhãa
Doaçom que fezerom joham gonçaluez e sa molher ao spital de V moinhos em Rjo de mojnhos e doutra herdade que hj conprou
Carta em como Maria gonçaluez se fez confreyra do spital e leixou lhj a terça parte de quanto auia en couilhaã
Doaçom que fez pero meendez e sa molher ao spital de quanto lhe ficarom de sseu padre en jalmhas termho de Couilhaã
Doaçom que fez Martim annes ao spital derdade que auia em couilhaã comvem a saber casas vjnhas e outras herdades
Doaçom que fez fernam perez e sa molher ao spital derdade que auja no auelaal
Doaçom que fez joham soarez e sa molher ao spital de casas e de vinhas e de todoo al que auia no teyxoso
Doaçom que fez Dom moinho rrodriguez ao spital da aldea de zameyro e de quanto auya em Tauaarez
Em como se Maria gonçaluez fez freyra do spital e lhe leyxou hy a terça parte de quanto auia
Doaçom que fez joham coutinho da terça parte de quanto auia ao spital
Doaçom que fez johane annes ao spital dhũa casa en couilhaã

Venda que fez joham uehegas ao spital dũm conchouso que e en couilhaã na deffesa
Venda que fez joham paez ao spital dũa herdade que auia en termho de couilhaã hu chamam baraçal
Venda que fez Dom gomez ao spital de casa e vinha que auia en pena mocor
Venda que fez meem gonçaluez e sa molher ao spital dhũu conchouso con sas casas o qual he na freguysia de Sam joham
Venda que fez joham gonçaluez e sa molher ao spital dhũua almuinha e casa na Ribeyra do Rjo da Couilhaã
Doaçom que fez duram palermo ao spital dhũa casa que auia en couilhaã na Rua de linhares
Venda que fez Caluo ao spital de todo o seu quinham de casas e de quintaã com sas aruores que lhy pertençe de seos auoos en couilhaã na freguisia de Sam joham
Venda que fez Martin perez ao spital dũa vinha que auia en segermal

Peey esteuam Com͂ de couilhaã deu a foro herdade que e en termho do djcto logo no seyxo
En como martynz e sa molher derom a foro a pobradores herdades que som en ascarigo
Carta denprazamento da freeguisia de sam hoane e de como o bispo da guarda limitou a jgreia suso dicta pelos termhos que aquj sam conteudos
Venda que fezerom pero mouro e sa molher a pero saluadores derdade que auia en couilhaã no teyxedo
Venda que fez pero sayom a egas negro derdade que auya en couilhaã en costa uelha
Venda que fez joham paez a pero saluadorez derdade que auia en couilhaã na Rua de trancoso
Venda que fez Domingos gonçalvez a joham meendez dũa vinha que auia no sanguinhal termho de couilhaã
(56 v) Venda que fez Aluaro piliteyro a joham aninho ouelheyro dũa uinha que auia en no logar que chamam deuesa termho de pena mocor
Venda que fez Dom paschol a egas negro dhũa herdade que auia em termho de couilhaã hu dizem rrasca uelhas
Venda que fez migeel longo a fernandinho dhũa vinha que auia en penamocor na abobereyra
Venda que fez Dom jordam a meem gonçaluez derdade que auia en termho de pena mocor hu dizem alcolosa
Venda que fez Domingos soarez a Domingos sarraom dhũa casa en couilhaã a par do paaço
Venda que fez Dom simhom a meende annes e a seu hjimaão dhũa vinha que auia en pena mocor hu djzem rrabaldo
Venda que fez Ousenda perz a egas martynz dhũa herdade en termho de couilhaã na meymoa e no auelaal
Venda que fez gonçalo gonçaluez a paay martynz derdade que auia en couilhaã hu dizem frauilham
Venda que fez Dom antoniho a Dom Egas martynz dhũa casa que auia en couilhaã na rrua de trancoso
Venda que fez maria gomez dhũa herdade que e en uila coua e en lamoso de silua a pero guarçya deiriz
Venda que fez migel sobrinho a Domingos soarez dhũa casa que auia en couilhaã na Rua do paaço
Venda que Dom Sueyro e sa molher a joham sete dhũa casa que auia en couilhaã
Venda que fez Diego saluadorez a dom Domingos dhũa casa que auia en freeguisia de san joham de couilhaã
Venda que fez meem çebola a pero aluitez derdade que auia na conchousa
Venda que fez pero perez a joham perez seu jrmaão de quanta herdade e vinha auia en vila de gamo
Venda que fez Dom steuam a joham martjnz dhũa vinha que auia en pena mocor hu dizem aruidrairo
Venda que fez pero gonçaluez a simhom perez herdade que auia en pena mocor hu dizem orrobaldo
Venda que fezerom pero crauom e sa molher a meem gonçaluez clerigo derdade que auiam en penamocor
Venda que fez Martim migẽes da erança de seu Auoo pero gonçaluez en no baraçal
Venda que fez joham Ermingit e sa molher a joham meemdez dhũa casa que auia na freeguisia de Sam Domingos
Venda que fezerom ancolin(?) e sa molher a Domingos sarraom dhũa casa que auia en couilhaã hu dizem os linhares
Venda que fez gonçalo perez a egas martjnz dhũa vinha que auia no Teyxoso termho de couilhaã
Venda que fez sancha martinz a pero martjnz dũu casal que auia em termho se a hu dizem aldea
Venda que fez pero freo a dom duram froys dũa casa que auia en couilhaã en Rua de linhares
Venda que fez joham mayo a maria perez a joham martjnz de todalas cousas que auia en meya mãjs (?) de la lagea ata o cume
Venda que fez meem peliteyro a pere annes das suas casas e quintaã com suas entradas e saydas como partem com joham rramjrez dũa parte com eluira meendes e da outra
Venda que fez gonçalo garçia a seos sobrinhos herdade que e en couilhaã da parte de sa jrmaã dona maria
Venda que fez maria perez a meem gonçaluez dhũa casa que auia en couilhaã na rrua de linhares
Venda que fez steuam martjnz a joane mendez dhũa vinha com ojtaua parte dũu logar en termho de couilhaã hu chamam sanguinhal
Venda que fez martjm annes a gonçalo annes dhũa vinha que auia en couilhaã
Venda que Roj perez a pero martjnz dũa meya casa que auya en freguisia de Sam betolomeu
Venda que fez mayor martjnz a pero martjnz dhũa herdade conuem a saber quarta dũu casal e dhũa leyra de vinha que e en termho de se a hu chamam aldea
Venda que fezero pere annes e sa molher a egas martjnz en torres (?) termho de couilhaã
Venda que fez martim monjz e seos filhos a joham garçia dhũa vinha que auiam en couilhaã apar dos moinhos de sueirom framarigujz
Venda que fez joham meendes a meende annes dhũa vinha que auia en termho de pena mocor mamouta de rrabaldo
Venda que fez Garçia paez a vjcente paez dhũa casa que auia en rrua de linhares en couilhaã
Venda que joham perez filho de pero garçya fez a pero vicente e a sa molher a Domingos joannes e a sa molher derdade que auia en uila coua e en lamoso
Venda que fez joham gomez a joham gonçaluez dhuũa vinha que auia en termo de couilhaã no sanguinhal
Venda que fez joham perez a pero saluadores dhũa herdade que auya en trancoso en ual coruo
Venda que fez pero perez e sa molher a joham garçya da vinha que auia en couilhaã
Venda que fez Dom fernando a pero aluitez derdade que auia no teixoso
Venda que fez pero martjnz clerigo a maria perez e a seu filho dũa vinha en couilhaã
Venda que fez martim soarez a joham meendez de tres partes dũu lagar, e de quartos dũa vinha
Venda que fez fernam ffernandez a Domingos perez dhũa vinha que auia en termho de couilhaã hu djzem choroso
Venda que fez fernando de teyxoso a pero martjnz dhũa vinha que auia en termho de couilhaã hu djzem cabeça de paayo e dũu cortinhal que iaz en rribeyra de mojnhos
Venda que fez maria dona a meem gonçaluez dũa casa que auia en couilhaã a par do muro
Venda que fez martim perez a seu jrmaão a gonçalo sancho dhũa casa que auiam en çelorico en rrua de linhares
Venda que fez steuam eannes a pero mendez dhũu paredeeyro que auya en couilhaã en portela de manta en Colo
Aqui som conteudas as diuisoẽs das herdades que o spital ha en na aldea de galegos a qual sayo de meem çebola
Venda que fez meende annes a lourençe annes dũa casa que auya en pena mocor
Venda que fez paay garçia a migel soarez dũa casa que auya en Couilhaã en carozes na aldea de paay garçia
Venda que fez joham martjnz a martine e a sa molher derdades e casas que auia en chocor hu djzem estorninho
Esta carta he porque vendeo ousenda martjnz a fernandinho tres quinhões de vinha que auia em termho de penamocor hu chamam a abobereyra
Venda que fez joham joannes a dona ouroana dhũa casa que auia en couilhaã na freeguisia de Sam joham do spital
Venda que fez joham monjs a pere annes de casas que auia a par de Sam joham do spital
Venda que fez Garçia rrojz a joham meendes dũa vinha e do ojtaua parte dũu lagar que auia en termo de couilhaã no sanguinhal
Venda que fez martim johannes e sa molher a egas martjnz dhũa vinha que auia en termo de celorico hu chamam teixoso
Venda que fez Dom mouro coelheiro a dom viçente dũa vinha que auia no seixinho termho de couilhaã
Venda que fez steuam annes caualeyro a steuam martjnz derdade que auia en zurara hu dizem maçeeira
Venda que fez Dom egas a meende annes clerigo dhũa vinha que avia no Ratallo termo de penamocor
Venda que fez maria de nouas a pero meendez dũas casas que auia en couilhaã na rrua de linhares
Venda que joham migẽes a martim johanes dhũa vinha que e en termo de pena mocor hu djzem mata de rrabaldo
Venda que fez steuam piliteyro a egas martjnz e a sa molher dhũa vinha e de seu quinho dũu lagar que auia e couilhã (sic) e en seu termho hu dizem teixoso
Venda que fez mende annes a joham e a sa molher derdade que auia en pena mocor hu djzem deuesa
Venda que fez Domingos gonçalvez a meem johannes dũa vinha que auia en penamocor hu djzem mouta
Venda que fez pero mançebo a paay gil derdade que auia en couilhaã
Venda que fez sueyro soarez e sa molher a egas martjnz derdade que auia en couilhaã
Venda que fez rreymondo goterrez a Lourenço paaez de casas e vinhas que auya en loymir
Venda que fez joham Lourenço e sa molher a joham meendez dhũa casa que auiam en couilhaã no adro de Sam Domingos
Venda que fez fernam saluador a Domingos perez derdade que auya no teixoso termho de couilhaã
Venda que gonçalo bordom a joham sueyro dhũa casa e dhũa almuinha a par dela que auia en termho de couilhaã hu chamam rrjo de moinhos
Venda que fez joham meendez a egas martjnz dhũa herdade que auia en na mamoa termho do auelaal
Venda que fez Martim lourenço a sueyre annes dũa herdade que auia en trotusendo termho de couilhaã
Venda que fez pero martjnz a joham soarez dũa herdae que a en seara de luzes
Venda que fez maria perez a dom fruytoso dũa casa que auia en couilhaã na frreguisia de sam bertolomeu
Venda que fez Domingos martjnz a martinete derdade que auia en pena mocor hu djzem longa dezassj
Venda que fez joham gonçaluez a migel galego dũa vinha que auia en pena mocor
Venda que fez pero daguiar a dom viçente clerigo derdade que auia no teixoso termho de couilhaã
Venda que fez Gonçalo annes a johaninho dhũa vinha que auia en termho de couilhaã hu chamam ordejro
Venda que fez sueiro meendez a gonçalo e a sa molher derdade que auya en couilhaã en Rjo de mojnhos
Venda que fez pero filho a joham djas derdade que auia na arrefega afondo da corredoira termho de couilhaã
Venda que fez pero saluadorez a Domingos martjnz derdade que e no baraçal termho de couilhaã
Venda que fez Dom honorio soarez e sa molher a dom viçente dhũa vinha en termho de couilhaã hu chamam antre o Rjo
Venda que fez joham soarez a egas perez derdade que auya en couilhaã hu dizem defessa
Venda que fez meem martinz a meem vaasquez a sueireannes derdade que auia en couilhaã."

Notas dos editores:
1) http://covilhasubsidiosparasuahistoria.blogspot.pt/2012/10/covilha-os-tombos-i.html
2) Livro de Herdamentos
3)http://covilhasubsidiosparasuahistoria.blogspot.pt/2012/11/covilha-os-tombos-ii.html
4) http://covilhasubsidiosparasuahistoria.blogspot.pt/2013/09/covilha-as-comendas-vi.html
5)http://covilhasubsidiosparasuahistoria.blogspot.pt/2014/03/covilha-memoralistas-ou-monografistas.html
6)http://covilhasubsidiosparasuahistoria.blogspot.pt/2014/03/covilha-onomastica-elementos-para-uma.html

Fonte - Arquivo Nacional da Torre do Tombo, Cartorio do Bailiado de Leça, Lº 4, fls 56

As publicações do blogue:

Os tombos já publicados neste blogue:
http://covilhasubsidiosparasuahistoria.blogspot.pt/2014/01/covilha-os-tombos-xv_29.html
http://covilhasubsidiosparasuahistoria.blogspot.pt/2014/01/covilha-os-tombos-xiv.html
http://covilhasubsidiosparasuahistoria.blogspot.pt/2013/11/covilha-os-tombos-xiii_24.html

segunda-feira, 1 de maio de 2017

Covilhã - Frei Heitor Pinto VIII

O nosso blogue vive do espólio de Luiz Fernando Carvalho Dias, que continuamos a explorar e a divulgar. Sempre soubemos o interesse do investigador por Frei Heitor Pinto, que deu origem em 1952 à publicação de "Fr. Heitor Pinto (Novas Achegas para a sua Biografia)", a 1ª da sua vasta obra. 

  Aquando das comemorações do IV centenário da morte do frade jerónimo, que se realizaram na Covilhã a 2 de Dezembro de 1984, empenhou-se totalmente para que a figura de Frei Heitor fosse mais divulgada.
A propósito de monografias covilhanenses, Luiz Fernando Carvalho Dias lembrou Frei Heitor Pinto:
“Não ainda em monografia, mas como simples descrição, registo a primeira imagem da Covilhã em forma literária. Cabe ao nosso Frei Heitor Pinto, o escritor português mais divulgado e com mais edições no século XVI. Trata-se de uma imagem enternecida, como que uma saudade de peregrino a adivinhar exílios, muito embora a abundância dos adjectivos desmereça da evocação:

 “ … Inexpugnável por fortes e altos muros, situada num lugar alto e desabafado e de singular vista, entre duas frescas e perenais ribeiras, com a infinidade de frias e excelentes fontes e cercada de deleitosos e frutíferos arvoredos.  “ (1)

 Estamos a publicar informações sobre Frei Heitor Pinto. Baseamo-nos em reflexões do investigador, em fotografias e textos da Exposição de 1984 e na obra sobre Frei Heitor Pinto.
    Acompanhemos a obra “Fr. Heitor Pinto (Novas achegas para a sua biografia)” de Luiz Fernando Carvalho Dias:

[...]

De Doutor em Siguença a Professor da Universidade de Coimbra

Portal de S. Bento, Salamanca
Fotografia de Luiz Fernando Carvalho Dias


Pormenor de Nossa Senhora da Vitória, Frades Jerónimos, Salamanca
Fotografia de Luiz Fernando Carvalho Dias



Enquanto em Salamanca se degladiavam interesses feridos, Fr. Heitor Pinto demandava Siguença à con­quista, nessa Universidade, dos graus académicos.
As saudades da paz claustral e das brisas marí­timas de Belém devem-no ter assediado nessas férias agitadas de 1568, ao jornadear pelo planalto ressequido de Castela!

Siguenza
Fotografia de Luiz Fernando Carvalho Dias

A 24 de Setembro, uma sexta-feira, compareceu perante o Doutor Francisco Fernandez, magnífico Rei­tor Siguentino, no Colégio de Santo António Portacoeli, para se matricular na Faculdade de Teologia.
Levava como credenciais a licença do seu provin­cial Fr. Jerónimo de Pavia e o instrumento testemunhal da prova dos seus cursos, no depoimento dos hieroni­mitas Fr. Damião de Guimarães, prior do Convento de S. Jerónimo do Mato e Fr. Paulo de Sintra.
Os três tinham ouvido anos atrás na Universidade de Coimbra, quando colegiais de S. Jerónimo, os cursos de Artes do mestre Luís Alvares Cabral e do francês Nicolau Grochio, e a Teologia dos escolásticos Doutor Afonso do Prado e mestre Martim de Ledesma (1) e dos exegetas Doutores Paio Rodrigues e Marco Romero (2).

Capa do livro de Graus do ano de 1568

O Reitor admitiu-o aos graus depois de jurar a veracidade das frequências alegadas, obedecer ao pre­lado universitário e guardar os estatutos:


Bacharelou-se no domingo seguinte, dia 26; para isso sustentou conclusões teológicas. Nelas arguiram o Reitor, o Presidente Doutor Pedro Martinez e outros. Findo o acto, jurou o concílio tridentino e o motu pro­prio de Pio IV e perorou em latim, pedindo o grau. Depois  subiu à cátedra para dissertar.
As conclusões deviam continuar terça-feira, na Rei­toria do Colégio, mas Frei Heitor Pinto, valendo-se de costumes e privilégios universitários, requereu a isen­ção das conclusões para a licenciatura, visto já haver lido uma lição de teologia na Universidade, fora as que proferira em Salamanca. O Reitor dispensou-o, pas­sando logo a ler teologia positiva durante uma hora. Não dizem as actas qual a matéria versada mas no pri­meiro de Outubro voltou a provas. Efectuaram-se estas no claustro de teologia; sustentou, de manhã, seis quod libetos e outros seis, de tarde.
No dia 2, às seis da madrugada, rezou-se, na capela do Colégio, a missa do Espírito Santo; assistiu o Reitor e depois, conforme a praxe, marcaram-se lições para o dia seguinte, começando o presidente por abrir três vezes o livro segundo das Sentenças de Pedro Lombardo (3).
Caiu a sorte, primeiro, nas distinções 5.ª (4), 6.ª (5) e 7 ª; depois na 20. ª (6) e ainda na 34.ª (7) e 35. ª (8).
Heitor Pinto decidiu-se pela 7.ª cujo título é:

«Quod boni Angeli a Deo sunt confirmati per gratiam ut peccare non possint: et mali ita obdurati in malo, ut bene vivere nequeant» (9).

O mesmo doutor voltou a abrir as Sentenças, mas no livro 4.°, saindo primeiro a 10ª. (10) e 11ª., depois a 18ª. (11) e por fim a 24ª.(12) e a 25ª.(13), escolhendo destas o hieroni­mita a undécima, sobre:

«De modis conversionis» (14).

No dia 3 de Outubro, às quatro da tarde, defendeu as duas teses escolhidas no Capítulo da Igreja Matriz de Siguença, perante o Reitor e o Chanceler D. Pedro Velarde. Arguiram os Doutores Pedro Martinez, Lope de Barrio e Julião Valeros.
Procedeu-se a votação e saiu aprovado, nemine dis­crepante, com três A. A. A.; antes porém de lhe ser conferido o grau de licenciado, jurou de novo o Concí­lio, e em latim fez a petição costumada.
Autorizaram-no logo a graduar-se de doutor, quando desejasse.
O doutoramento não se fez esperar porque, na segunda-feira, 4 desse mês, às 8 da manhã, voltou a comparecer perante o juri a fim de responder à proposi­ção teológica que lhe formulou Lope de Barrio.
Terminam assim as suas provas.
Só lhe restava requerer, em breve arrazoado latino, ao Chanceler Universitário, o grau de Doutor.
Aquiesceram os mestres franquear-lhe os doutorais e recebê-lo como confrade.
Seguiu-se a imposição das insígnias. O cerimonial equipara-se ao dos outros colégios universitários dessa época: ofertaram-lhe o livro, puzeram-lhe no dedo o anel e, na cabeça, o boné, com a borla branca dos teólo­gos; seguiu a ocupar o lugar que, por antiguidade lhe ficava pertencendo no Colégio Doutoral (15).
Não lhe exigiu a Universidade Siguentina aquele mínimo de permanência de magistério a que desejava vinculá-lo o claustro de Salamanca.
Por isso deve ter regressado a Madrid, onde, em 23 de Outubro, se lhe deferia o requerimento que, em 17 de Setembro, a caminho de Singuença, entregara no Conselho Real, pedindo a taxação dos seus comentários a Ezequiel (16).
Ele mesmo levaria o alvará régio a Salamanca; esperava-o aí a publicação dessa obra, já impressa, regres­sando em seguida a Portugal. Só o reencontramos aqui em 1571, depois duma nova ida a Madrid, ao iniciar, com o priorado de Belém, o provincialato da sua ordem.

* * *
                                                 

Parece deduzir-se da documentação de Siguença que Fr. Heitor Pinto não recebeu em Coimbra qualquer grau Universitário, pois não consta das suas provanças de matrícula. Causa isto admiração por sabermos que estava pronto para bacharelar-se em artes, em Março de 1550, e ainda por ter exercido o Reitorado do Colé­gio de S. Jerónimo de Coimbra, (1563-1566), onde foi integrado o Colégio da Costa de Guimarães; ora neste conferiam-se graus em Artes e em Teologia (17).
A documentação Siguentina revela um aspecto bio­gráfico inédito: diz-nos quem foram em Coimbra os mestres de Fr. Heitor Pinto na Faculdade de Teologia, facto que interessa sumamente à Universidade Portu­guesa.
Embora alguns dos seus mestres fossem estrangei­ros (18) todo o monumento da sua erudição se ergueu em Portugal.
O Doutoramento de Siguença demonstra ainda com segurança que Fr. Heitor Pinto não temia expor a sua doutrina em conclusões universitárias - argumento para contraditar os que pensaram que ele saiu vexado em Salamanca.
A hipótese de um doutoramento na Universidade de Osuna também fica afastada: na «Memória dos Estudos ...» (19) aceitara-se sem crítica esta opinião de Fr. Diogo de Jesus.
Dizem os documentos de Sigüença (20):
 I

Matrícula de Frei Heitor Pinto, Português

fls 44 - 1568
Viernes a veinte y quatro dias del mes de Septº a
Matricula y
las cinco de la tarde poco mas o menos en este
cursos del  Pe
Collegio de Sto. Ant.º ante El muy magº S.ºr
Hector Pinto
Dºr Francº fernandez en prsencia de mi El secretº
Portugués
y testigos infra escritos
parecio presenteEl Padre fray Hector pinto portugues frayle de la orden de St. Hieronimo de la pvincia de portugal y pidio al dho S.ºr Rector licencia pª graduarse en esta universidad de bllr y licen.dº y doctor en Theo­logia. Para lo qual mostro y psento los recados seg.tes Primªmente presento una patente firmada De fray Hie­ronimo de Pauia provincial de la horden de San Hiero­nimo en el Rejno de portugal, por la ql. daua licenª al dho fray Hector pª graduarse en Theologia por qlquier universidad y despues desto testificaua q el dho fray Hector despues de ser religioso avia ojdo en ocho años continuos todo El curso de Artes y de Theologia en la universidad de Coimbra yten presento dos dichos, El uno de fray Damian de guimaraes prior del monastº de San Hieronimo Do Mato dioces de Lisboa y el otro de fray Paulo de Sintra. Los qles ambos a dos deziarn q siendo Ellos collegiales en El collegio q esta en la uni­versidad de Coimbra de la orden de san Hieronimo, conocieran y trataron al p.e fray Hector pinto q era ansi mismo collegial con ellos en el dho Collegio y su con­discipulo de artes y Theologia y saben q ojo en aqlla universidad todo El curso de artes q se lle en tres años en el ql tuuo por maestros el mro luis alvarez cabral y a Nicolas Grochio. Y despues ojo todo El curso de Theologia en cinco anos Sig.tes ojendo la Theologia scho­lastica del dotor Alonso de Prado y ell mro Martin ledesmio y la positiva dei d.ºr Marco Romero y deI d.ºr Pelagio rodriguez los qles todos leyan Theologia en la dha universidad de Coimbra y q todo esto saben por q ambos a dos fueron condiscipulos de artes y Theologia del dho fray Hector pinto y por esta causa lo firmaron de sus nombres y al cabo destos dos dhos y depositio­nes venja una approbacion de Fray pº De (fls. 45) lis­boa // scrivano y secretº del dho prouincial De la orden de St. Hieronimo en Portugal por la ql. daua por testimº q conocia a los dhos p.es fray Damian de Guimaraes y Fray Paulo de Sintra y se hallo psente al tpo q depo­nian y testifiavan lo suso dho y sabia q aqllos son sus dhos y las firmas q alli vienen son las sujas pprias. y ansi lo firmo De su nombre por mandado Del dho p.e provincial a pedimº Del dho fray Hector Pinto y ansi mismo En la dha patente El dho puincial testificaua q el dho fray Hector Pinto era sacerdote. Y el dho S.ºr Rector uistos los dho (sic) recados mando a mi el notº infrascrito recebiese juramº del dho Fray Heytor Pinto acerca De lo suso dho y El juro in verbo sacerdotis q todollo suso dho es ansi verdad y q tiene ganados todos los dhos cursos como dho es. Y el dho srº. le d io la dha licencia pª graduarse por esta universidad y yo el notº infrascrito le matricule y el juro in verbo sacerdotis de obediendo Rectori y guardar los statutos desta universidad testigos los s.es mros marcos perez, d.or Domingo fernandez collegiales.

paso antemi

X. de la Peñuela
not.º y secret.º

II
Bacharelato de Frei Heitor Pinto


fls 45
Domingo a veinte y seis dias del mes de septiembr
«Bachilleramº
a las cinco de la tarde poco mas o menos ante El
del  Pe fray
muy magcº Sºr dotor francº Fernandez Rector y El
Hector Pinto
Sºr Dºr Pº minez
psidente y en psencia de mi El not.º y test.ºs infra scritos parecio presente El p.e Fray Hector Pinto y sus­tento unas concles (21) De Theologia contra las qles le argu­jeron los dhos s.es Rector y psidente y otros doctores desta universidad. Despues de lo ql. el dho fray Hec­tor juro El concilio Tridens y pprio motu De Pio 4 y por una oracion en latin pidio El grado de bllr En Theo­logia y el dho S.ºr presidente se le concedio con las exemptiones y pminencias g a los demas bllrs suelen ser concedidas. y luego El dho fray Hector  (va entre ren­glores seis y presidente Valga.) fls .46 // subio a la Cathe­dra y començo a leer una question de Theologia tomando possession De lo dho su grado testigos los s.es dotores Lope de barrio Ferdo De Mendoza Domingo fernandez.

paso antemi

 X. de la Peñuela
not.º y secret.º

III

fls 46
 Martes a veinte y siete Dias Digo a viemte dias del
«Suplemtº De  sus
mes de Sepº por la mañana en la Camª rectoral
cles (22) del P.e
deste collegio ante El muy magº Sºr Dºr francº
fray Hector Pinto
fernandez Rector
parecio presente El p.e fray Hector Pinto y pidio a su md. q atento a q El auja leydo una licion de Theolo­gia en esta universidad fuera de otras muchas q auia leydo en las escuelas de Salamanca q su md. fuese ser­vido de mandarle suplir las concles q hauja de hazer pª graduarse de licen.do en Theologia como se suele hazer en esta unjversidad. Para lo ql. presento p. testigos al padre fray (fls. 46 v.) // fray Francº Mexia y al padre fray Guillermo de Valencia los qles juraron in verbo sacerdo­tis q El dho fray Hector Pinto leyo en el aula de Theolo­gia desta universidad una licion de Theologia despues De ser bachiller En Theologia y yo El infrascrito notº me halle psente a la dha licion, con los dhos testigos y otros muchos. y el Dho Seüor dixo q por virtud de la dha licion le suplia las Concles (23) q auia de hazer para gra­duarse De liceu.do en Theologia Como se suelen suplir en esta universidad. testigos El doctor p.º martinez y el mro Marcos perez.

paso ante mi

 X. de la Peñuela
not.º y secret.º

Rep.ºn del mismo
 Esto mismo dia a las diez de la mañana en el

aula de Theologia desta Universidad ante El muj
magº s.ºr Dºr francº fernandez Rector y el dºr pº martinez psidente parecio psente El Dho fray Hector Pinto y hizo uma repeticion sobre uno lugar de scriptura por espacio de una hora. testigos los s.es mros lope rami­rez y marcos perez collegiales.

paso ante mi

 X. de la Peñuela
not.º y secret.º


IV

fls 47
 Viernes prº Dia de otubre a las ocho De la
«quodlibetos
mañana En el q tral de Theologia desta universidad 
del Pe fray Hector 
ante El muy magº sºr Dºr francº Fernandez Rector 
y el Dºr P.º martinez psidente en la faculdad De Theologia parecio psente El p.e fray Hector pinto y sustento doze quodlibetos los seis por la mañana y los seis por la tarde testigos los s.es mros Marcos Perez y antº. de Torres collegiales.

paso ante mi

 X. de la Peñuela
not.º y secret.º

V


«1568»
 Sabado segundo dia del mes dotubre a las seis de  
fls 47 v Assigºs del
la mañana En la capilla deste collegio ante El muj 
mismo 
magº Sºr Dºr francº fernandez Rector y el sºr doctor 
pº minez parecio psente El p.e fray Hector Pinto y despues de averse dho una missa de Spu Santo como es cos­tumbre se le senalaron liciones pª otro dia en la manera sig.e El doctor pº martinez abrio El segundo de las sententias por tres partes y cayeron los dist.es sig.es / 1.º/ 5.ª 6ª 7ª / 2º / 20 / 3º 34.35 y desta El p.e fray Hector escogio la septima. Luego El dho Doctor pº minez abrio El quarto de las Sententias por tres partes y le cayeron las distintiones sig.es / 1º / 10.11 / 2º / 18 / 3º / 24.25  y el p.e fray Hector escogio la distintion onze tes­tigos El mro Diº perez y el mro lope ramirez collegiales.


paso ante mi

 X. de la Peñuela
not.º y secret.º
VI

lection y licem.tº
Domingo a tres dias de otubre a las quatro de la
del mismo
tarde en el capitulo de la iglesia  mayor de Sig.ª 
 
ante los muj magºs y muy R.dºs s.es Dºr francº  
fernandez Rector desta universidad y Don pº Velarde cancelario y los s.es dotores Pero martinez psidente y Lope de barrio y Julian Valeros examinadores En la faculdad De Theologia parecio psente El p.e fray Hector pinto y leyo las liciones q El dia antes le auian senalado contra las qles le arguiyron los dhos s.es Rector y psídente y examinadores y despues desto los dhos [fls. 48] s.ºs psidente y examinadores se apra­taron a votar por A. y R. // cerca dela suffª Del Dho pº fray Hector, y todos nemine discrepante le aprobaron como consto della regulacion de votos q El dho S.ºr Can­celº hizo en psencia de mi El not.º infrascrito en q se hallaron tres A.AA. y ansi El dho fray Hector juro El concilio Tridente y por una oracion En latin pidio El grado De licen.dº en Theologia y el dho S.ºr Cancela.º se le concedio con todas las pminencias y exemptiones q a los demas por esta universidad graduados suelen ser conçedidos y le dio faculdad pª graduarse de D.ºr en Theologia qu.º quisiere tsª los s.es mros pº ramirez, mar­cos perez antº de Torres

paso ante mi

 X. de la Peñuela
not.º y secret.º

VII

Doutoramento de Frei Heitor Pinto (1)


dotoramj.º del
Lunes a quatro dias del mes de otubre a las ocho de
    mismo
 la mañana en El capitulo de la iglesia  major Sigª
 
(24) ante El muj muy mag.cº Sºr Dºr franc fernandez
Rector y Don pº Velarde cancelario y el D.ºr pero martinez psidente en la faculdad de Theologia y ante los doctores Julian Valeros y Lope de barrio examinadores parecio psente El dho padre fray Hector y despues De aver respondido a una question Theologa q le ppuso EI dho doctor Lope de bario, por una oracion en latin pidio EI grado de doctor en Theo­logia al dho Señor cancelario. El ql. se le concedio con todas las excemptiones y pminencias acostum­bradas ponidendole en la mano un libro y en el dedo un anillo y en la cabeça un bonete con una borla blanca q Es insignia de dotor en theologia y luego el dho fray Hector se sentó entre los dotores de su faculdad en el lugar q le venia por su antiguedad testigo los s.es mros ramirez, marcos perez y ant.º de torres.

paso ante mi

 X. de la Peñuela
not.º y secret.º

Notas:
1 F. Hectoris Pinti - In Ezechielem prophetam Com.ª - Sal­manticae - M. D. L. XVIII, fls. 694. A: " ... Martinus Ledesmius praeceptor meus doctissimus, non minore pietate et eruditione...».
2 Também foi professor de Fr. Heitor Pinto o celebrado Dou­tor Pedro Nunes como ele afirma nos comentários a Esaias, fls , 528: «...(Deus) Ipse solus est qui de se ait: Coelum sedeo mea est, terra autem scabellum pedum meorum. Sed cum multi sint coeli, oritur dubitatio, de quo Deus hic per Esaiam loquatur, an de Empyreo, an de Firmamento, an de aliquo ex septem coelis Planetarum, an de primo mobili post Firmamentum, quod etsi fuerit antiquis ignotum putantibus Firmamentum esse ipsum primum mobile aliud coelum a Firmamento distinctum, ut ostendit Petrus Nonius magister meus, mathematicorum doctissimus, alter Euclides, alter Ptolemaeus ...».
3 Pedro Lombardo - Sententiarum - Ed. de Antuerpia, 1764.
4 «De conversione et confirmatione statium, et auersione et lapsu cadentium». Lib. 2, Dist. v.
5 «Quod de maioribus et minoribus quidam ceciderunt: inter quos unus fuit celsior, scilicet Lucifer». Lib. 2, Dist. VI.
6 «De modo procriationis filiorum si non peccassent primi parentes, et quales nascerentur filii». Lib. 2, Dist. xx.
7 «Quae de peccato animaduertenda sint». Lib. 2, Dist. XXXIV.
8 «Quid sit peccatum. Lib. 2, Dist. XXXV.
9 Desenvolvimento da distinção: «Quod utrique liberum arbitrium habent, nec tamen ad utrum que flecti possunt. Quod boni post confirmationem liberius arbitrium habent quam ante. Quod post confirmationem Angeli non possint ex natura peccare sicut ante: non quod debilitatum sit eorum liberum arbitrium sed con­firmatum. Quod Angeli mali uiuacem sensum non perdiderunt, et quibus modis sciant. Quod magicae artes uirtute et scientia diaboli valent: quae uir­tus et scientiae est ei data a Deo uel ad fallendum malos, uel ad monendum, uel exercendum bonos. Quod transgressoribus Angelis non seruit ad nutum materia rerum uisibilium. Quod non sunt creatores, licet per eos Magi ranas et alia fece­rint: sed solus Deus. Sicut parentes non dicuntur creatores filiorum nec agricolae frugum: et nec boni Angeli nec mali; etsi per eorum ministerium fiant creaturae. Sicut iustificationem mentis, ita creationem rerum solus Deus operatur: licet creatura extrinsecus serviat. Quod Angeli mali multa possunt per naturae uigorem, quae non possunt propter Dei vel bonorum Angelorum prohibitionem i. quia non permittuntur». 10 «De haeresi aliorum qui dicunt Corpus Christi non esse in altari nisi in signo». Lib. 4, Dist.
10 «De haeresi aliorum qui dicunt Corpus Christi non esse in altari nisi in signo». Lib. 4, Dist. 10.
11 De remissione sacerdotis». Lib. 4, Dist. XVIII.
12 «De Ordinibus Ecclesiasticis». Lib. 4, Dist. XXIV.
13 «De ordinatis ab Haereticis». Lib, 4. Dist. XXV.
14 Desenvolvimento da distinção: -Oppositio. -Augustinus in libro setentiarum Prosperi. -Asserunt quidam dictum panem transire in Corpus Christi. -Quare sub alia specie. -Quare sub duplici specie. - Quare aqua admisceatur. –Julius Papa».
15 Quando Fr. Heitor Pinto em 1576 foi chamado para reger Bíblia, na Universidade de Coimbra, fez uma prova sumária do seu doutoramento em Siguença. Por isso nos documentos publicados pelo Dr. J. J. de Brito e Silva, já citados, há referências incompletas aos seus cursos nesta Universidade, que não dispensam a nossa Colecção. Há também algumas divergências de leitura entre os documentos de Siguença e os treslados que figuram nos livros de Coimbra.
16 Fr. Heitor Pinto – In Ezechielem prophaetam Commentaria ... Salmanticae apud Iohamem á Canova- M.D.L.XVIII.
17 Santos Abranches - Suma do Bulario Português, pag. 121, Bula de Paulo 3º, Ex parte celsitudinis, passada pela Sagrada Pene­tenciária, em nome de António, Cardeal do Título dos Quatro Santos Coroados, pela qual a instâncias de D. João 3º se concedeu ao Reitor do Colégio da Costa o privilégio de conferir graus em arte e teologia. Dada em Roma aos 7 dos Idus de Novembro de 1540. Arquivo Nacional da Torre do Tombo - cartórios conventuais recolhidos da B. N. de Lisboa, em 1912. S. Jerónimo de Coimbra, Vol. 3°, ms. a fls. 357 do Inventário dos papéis de Fr. Diogo de Murça, encontrados depois da sua morte no Oratório de Refoios e entregues por seu sobrinho Gonçalo Pinto: "hua bulla e alluara dell Rey e comysoes do nunçio pª q se posam dar graaos no colegio de sam Jeronymo de Coymbra, e isto ê artes e teologia».
18 Os mestres de Fr. Heitor Pinto em artes já eram conhecidos atravez do Doc. publicado pelo Dr. Mário Brandão, a fls. 478, da 1ª Parte, de O Colégio das Artes, Coimbra, 1924.
19 «Memoria dos Estudos em que se criarão os monges de S. Jeronimo ... » in Bol. da Bib. da Univ. de Coimbra, vol. 6, pags. 220 e segs. e vol. 7, pags. 233 e segs.
20 Arquivo Historico de Madrid - Colegio de S. Antonio Porta­coeli, Sec. Universidades y Colegios. Livro 1254, F.
21 Conclusiones.
22 Conclusiones.
23 Id.
24 La capilla de N.ª Sr.ª de la Paz junto al Claustro.

Nota dos editores - A documentação relativa ao doutoramento de Frei Heitor Pinto na Universidade de Siguenza encontra-se no Arquivo Histórico de Madrid


As publicações do blogue:


Estatística baseada na lista dos sentenciados na Inquisição publicada neste blogue:
http://covilhasubsidiosparasuahistoria.blogspot.pt/2011/11/covilha-lista-dos-sentenciados-na.html

As publicações sobre Frei Heitor Pinto no nosso blogue:
http://covilhasubsidiosparasuahistoria.blogspot.pt/2016/08/covilha-frei-heitor-pinto-vii.html
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http://covilhasubsidiosparasuahistoria.blogspot.pt/2015/06/covilha-frei-heitor-pinto-iv.html
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